Dessa vez não teve graça: a Moschino lança estampa de cápsula de remédio tarja-preta

Moschino, Fashion Show, Ready to Wear Collection Spring Summer 2017 in Milan

Jeremy Scott, na última fashion week, apresentou a nova coleção da Moschino, como já falei aqui no blog. Ele é conhecido como o piadista da moda, e todos nós já estamos acostumados com suas coleções polêmicas. Mas dessa vez a piada não foi engraçada. O estilista inspirou-se no termo coleção-cápsula para criar uma estampa de cápsula de remédios. Avisos da venda restrita dessas pílulas também estamparam bolsas e roupas.

Não é de hoje que a moda glamuriza remédios tarja-preta. Olympia Le-Tan, por exemplo, lançou bolsinhas de caixa de calmante, a Kitson usou nomes de medicamentos conhecidos em suas camisas e Betsey Johnson já usou vidrinhos de remédios como convite para seu desfile. Mas, será que isso não é banalizar um assunto que deveria ser tratado com mais seriedade?

moschino-capsule-collection

Nos Estados Unidos, muitos jovens são viciados nesses tipos de medicamentos e, numa recente pesquisa feita no país, foi comprovado que o número de pessoas mortas por overdose de remédios tarja-preta triplicou nos últimos 14 anos. Já o número de mortes por por vícios em opiáceos, substâncias derivadas do ópio, e por analgésicos de venda controlada, quase quadruplicou nesse mesmo período. Muitas celebridades, por exemplo, chegaram a falecer devido ao vício nessas substâncias, como Michael Jackson, Heath Ledger e Prince.

Não é a toa que, quando a coleção da marca italiana colocou os produtos da sua nova coleção à venda, Randy Anderson, conselheiro de um centro de reabilitação norte-americano, pronunciou-se a respeito da situação: “Parece que vocês não estão cientes de que o nosso país está no meio de uma epidemia severa de vício em opiáceos e mortes por overdose – reconhecida pelo governo federal como a pior epidemia de drogas da história dos Estados Unidos”, escreveu Randy numa carta. “A morte por overdose de drogas é a causa principal de morte acidental nesse país”. Ele também organizou um abaixo assinado online e entrou em contato com a Moschino, Saks Fifth Avenue e Nordstrom, pedindo para que os itens fossem retirados de circulação.

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A Nordstrom já tirou a coleção das suas lojas, mas a Saks e a Moschino continuam a vender, e ainda não se pronunciaram. O ocorrido nos faz refletir sobre a questão da alienação da moda em relação a realidade e os problemas sociais que nos cercam. Muitos nem sequer percebem como certos assuntos que são trazidos para os holofotes da passarela acabam por negligenciar situações que deveriam ser mais debatidas, e não enfeitadas. Infelizmente, algumas vezes o que mais se procura é uma polêmica, e sabemos muito bem que Jeremy sabe fazer isso melhor do que ninguém, mas é sempre bom lembrar que tudo tem um limite e, dessa vez, o estilista errou feio.

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