“Ninguém no mundo da moda realmente se importa com diversidade”, diz RJ Hernández

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RJ Hernández é um cubano naturalizado americano que cresceu em Miami. Ele é autor do sucesso literário Inocent Fashion, livro ainda não traduzido para português, mas que já está ficando conhecido lá fora, e foi chamado pela Vanity Fair como “O Diabo Veste Prada para a geração millenial“. Assim como Weisberger, o autor de 26 anos, RJ Hernández, também trabalhou na Vogue.

O livro, que teve seus direitos vendidos para a televisão, aborda a luta por uma política de identidade contra os bastidores da moda. Em um momento em que está se falando tanto sobre diversidade no mundo fashion, a publicação pareceu ter o timming perfeito. Sobre isso, o autor comentou em uma entrevista para o The Guardian. “Eu acho que, no momento, está ocorrendo uma maior aceitação”, afirma Hernández. “Mas, na verdade, eu sinto que isso está acontecendo porque tornou-se uma tendência. Ninguém no mundo da moda realmente se importa com diversidade“. Será?

Podemos admitir que está havendo um maior acolhimento da pluralidade de personalidades no mundo da moda, que sempre se mostrou tão fechado a essas diferenças. Vemos mais propagandas com modelos que quebram paradigmas, mulheres que fogem do peso estipulado nas passarelas e debates mais aguçados sobre essas mudanças. Não podemos ser tão inocentes em pensar que isso está ocorrendo apenas porque as marcas estão percebendo como é importante aceitar o seu público como ele é de verdade. O assunto está cada vez mais em alta, e elas estão tirando vantagem disso, mas será que de fato não está havendo uma maior conscientização dessa indústria que fatura bilhões por ano?

RJ Hernandez
8/4/16
Oliver Mint

Na obra de Hernández, o personagem principal, Elián San Jamar, se reinventa como Ethan St James. Assim como seu personagem, o autor sofreu para adaptar-se em um ambiente ocupado na sua maioria por brancos e ricos privilegiados. Ele foi demitido da Vogue por não usar roupas ‘adequadas’ para um estagiário. “Trabalhar em um ambiente glamuroso não te oferece a oportunidade de você se expressar mais do que em Wall Street”, admitiu.

O livro é uma quebra de ilusões sobre a indústria da moda, mostrando o seu lado mais cruel. “Ethan quer ter poder, mas pertence ao grupo de pessoas que sofre as maiores desvantagens no país”, diz o autor, desconstruindo a ideia do Sonho Americano. Muitos que desejam fazer parte desse meio, mas não se encaixam nos diversos perfis impostos, se identificarão com a obra. “Eu cresci me sentindo inferior por causa das minhas origens e agora é possível ver que elas são a fonte da minha força, não fraqueza“, conclui o autor.

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